quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Síndrome de Rett

Trata-se de um transtorno acompanhado de um nível grave ou profundo de atraso mental, de uma alteração evolutiva que ocorre sempre após um período de 5 ou 6 meses de evolução normal no começo da vida e que se acredita que acomete meninas, por envolver mutação genética em cromossomo X, cujo locus está localizado no braço longo do cromossoma X (Xq28), que daria lugar à inviabilidade dos embriões masculinos. Em 1999, a identificação da mutação no gene MECP2 (methyl-CpG-binding protein 2) em uma grande proporção de pacientes com diagnóstico clínico de Síndrome de Rett confirmou a base genética dessa síndrome. Entretanto, foram publicados relatos de meninos com fenótipo de Síndrome de Rett com cariótipo 47 XXY, assim como se identificou no gene MECP2 em meninos com encefalopatia neonatal grave. Em 1998, foi descrito um caso de um menino com 2 anos e 9 meses que tinha um fenótipo típico de Síndrome de Rett e um cariótipo  XXY. Essa associação da Síndrome de Rett com a Síndrome de Klinefelter (são indivíduos do sexo masculino que apresentam cromatina sexual e cariótipo geralmente 47,XXY) tem uma ocorrência de provavelmente um a cada 10/15 milhões de nascimentos. Esse menino, se confirmou uma das possíveis mutações encontradas no gene da Síndrome de Rett.
É caracterizada principalmente pela perda de atividade funcional com as mãos entre 6 a 36 meses de vida, dedicadas de forma repetitiva a estereótipos de “lavar” ou “retorcer”, isolamento, atraso importante no desenvolvimento na capacidade de andar (com deambulação rígida e pouco coordenada, quando se adquire, e posteriormente sua perda na adolescência), perda de capacidade de relação, ausência de competências simbólicas e de linguagem, microcefalia progressiva (desaceleração do perímetro cefálico entre 6 meses a 4 anos de vida), alterações de padrões respiratórios, com apnéias, hiperventilação e hipoventilação freqüentes, ausência de relação com objetos, crises epiléticas, escoliose, atrofias de extremidades (podálicas e perôneas), distúrbios vasomotores e prognóstico pobre a longo prazo
As crianças com esse transtorno podem viver por mais de uma década, porém, após 10 anos do transtorno, muitas pacientes estão em cadeiras de rodas. Em geral, a morte ocorre devido a infecções e complicações respiratórias, possivelmente relacionadas à escoliose grave ou durante o sono (morte súbita).Inicialmente, as crianças com síndrome de Rett são diagnosticadas como autistas, devido à deficiência acentuada nas interações sociais em ambas as síndromes. Porém, existem algumas diferenças previsíveis que se desenvolvem no processo da síndrome, como a perda das aptidões verbais, problemas respiratórios e desaceleração do desenvolvimento craniano, ausentes no autismo (DSM-IV, 1995).
A Síndrome de Rett é uma encefalopatia progressiva, em que a idade de início e o predomínio de algumas manifestações clínicas identificam quatro diferentes estágios clínicos.
Estágio I ou período de estagnação precoce:
Ocorre entre 5 meses a 24 meses de vida. Dura meses, caracterizando-se por atraso ou não aquisição de novas etapas do desenvolvimento motor, diminuição ou perda do interesse por jogos ou brincadeiras, interação social pobre, mudança da personalidade e desaceleração do crescimento craniano. Este estágio dura alguns meses.
Estágio II ou período rapidamente destrutivo:
 Inicia entre 1 a 3 anos até 4 - 5 anos de vida, e dura  de semanas a meses, caracterizando-se por perda das aquisições previamente adquiridas, regressão motora, manifestações autísticas, demência severa, perda da linguagem, choro imotivado, irritabilidade, estereotipias manuais tipo Rett, perda da capacidade de usar as mãos (apraxia manual), respiração irregular (apnéias durante o período de vigília e episódios de hiperventilação, entre outras) e epilepsias podem estar presentes.
 Estágio III ou período pseudo-estacionário:
 Ocorre entre os 2 e 10 anos de idade. Dura anos e pode ou não evoluir para o estágio seguinte. Caracteriza-se por progressão lenta dos sinais/sintomas, discreta melhora da interação social e da expressão dos aspectos emocionais, retardo mental severo, sinais de disfunção motora (hiper-reflexia, espasticidade), estereotipias manuais, episódios de hiperventilação, ataxia/apraxia da marcha mais proeminente, escoliose, perda de peso, bruxismo e crises epilépticas. Episódios de perda de fôlego, aerofagia, expulsão forçada de ar e saliva ocorrem muito frequentemente.
 Estágio IV ou deterioração motora tardia:
 Inicia por volta dos 10 anos de idade, dura décadas e caracteriza-se por perda da deambulação, comprometimento motor importante, com tetra ou paraparesias e deformidades posturais (pés em equinismo), que impedem ou restringem a deambulação. A ocorrência de cifo-escoliose, desvio cognitivo grave, distúrbios tróficos e vasomotores são freqüentes. As meninas capazes de caminhar independentemente apresentarão piora das dificuldades de marcha e geralmente necessitarão de uso da cadeira de rodas.

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