quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Autismo e Integração Sensorial Parte 2

Como trabalhar a Integração Sensorial em casa

Aqui estão alguma dicas para trabalhar a integração sensorial com seu filho, mas antes vamos fazer algumas ponderações:
  • Precisamos estar atentos que Integração Sensorial não estimulação sensorial e que algumas vezes faz-se necessário reduzir a quantidade ou certos tipos de estímulos.
  • É importante reconhecer que cada criança é única em seus interesses, necessidades e respostas. Devemos observar suas reações a diferentes estímulos, como por exemplo, ao toque, ao movimento, à altura, aos sons e luzes, e estar prontos para alterar as atividades e fazer modificações no ambiente sempre que necessário.
  • As respostas podem variar não só de criança para criança, como também podem ser diferentes em um mesmo dia ou ainda de um dia para outro. A criança nos dará pistas sobre o que seu sistema nervoso precisa, procurando certas experiências sensoriais ou evitando e se desorganizando diante daquelas com as quais não sabe lidar.
  • Os pais não precisam nem devem se tornar terapeutas de seus filhos, mas podem fazer algumas adaptações no ambiente e na forma como lidam com a criança, procurando sobretudo preservar uma boa relação entre pais e filhos.
  • Manter a criança informada sobre o que vão fazer, antecipando situações de estresse, pode ser uma boa estratégia para ajudá-la a se sentir menos ameaçada e evitar comportamentos inesperados. Rotinas diárias bem estruturadas, sem rigidez excessiva, permitindo que a criança antecipe os eventos, também ajudarão a criança a se organizar. Mudanças na rotina devem ser comunicadas.
Apresentamos a seguir algumas idéias de atividades que podem ser realizadas em casa ou escola, mas é preciso se ter um cuidado especial com a segurança, preservando sempre a integridade física e respeitando o desejo da criança.

1. Sugestões de Atividades Principalmente para Modulação Tátil

  • Evite tocar a criança por trás e de forma inesperada. Crianças mais sensíveis apreciarão um toque mais firme.
  • Na hora do banho incentive o uso de buchas. Na hora de secar use toalhas macias e se a criança for muito sensível vá apertando a toalha em seu corpo ao invés de esfregá-la.
  • Pintura do corpo: Usar materiais como talco, creme, amido, creme de barbear, buchas, pincéis, rolinhos de pintura, luvas de tecidos texturados. Incentivar a criança a passar em seu próprio corpo ou no do outro. Não forçar, respeitar onde ela deseja receber o estímulo.
  • Manipulação de texturas – Num recipiente plástico (bacia) colocar água , areia, farinha, creme, pedrinhas, cereais. A criança poderá experimentar estes materiais separados ou misturados. Misturar com as mãos, encher canecas, esconder objetos no meio, enterrar as mãos ou os pés e etc.
  • Caixa ou piscinas de texturas – Caixas contendo grãos, flocos de isopor, pedaços grandes de espuma. A criança poderá entrar na caixa para achar algum objeto escondido lá, ou se não suportar pode inicialmente, procurar o objeto com as mãos ou os pés.
  • Trilha: Montar uma trilha, com superfícies de texturas variadas como papelão, tapete de retalhos, colchonete e carpete, almofadões, para que a criança se desloque sobre ela, rolando, engatinhando, ou numa brincadeira corporal com outra pessoa (ex: luta, trenzinho, natação no seco).
  • Sanduíche: Usar colchonetes, almofadões ou cobertores para enrolar a criança, tipo rocambole, ou então amontoá-los sobre ela. Podemos cantar enquanto damos pequenos apertos sobre o corpo da criança. Podemos também enrolar a criança no colchonete e deixar que ela ande pela sala ou role pelo chão com ele.
  • Abraço de Tamanduá – Abraço bem firme, apertado, incentivando a criança a fazer o mesmo. Abraçar e soltar pois a criança poderá ficar aflita se for muito demorado. Repetir várias vezes durante o dia.
  • Amassa pão: Criança deitada sobre um tapete ou colchonete, rolar uma bola fazendo pressão sobre seu corpo. Chamar atenção para as partes do corpo. Observamos que atividades que envolvem o toque mais firme, como nas três ultimas sugestões, são geralmente muito apreciadas por crianças hipersensíveis.

2. Sugestões de Atividades para Estimulação Proprioceptiva/Vestibular

  • Usar balanços de tamanhos e formas variados, como rede, gangorra, trapézio, balanço infantil de cadeirinha. Colocar o balanço baixo, para a criança impulsionar sozinha. Um balanço bastante divertido e de baixo custo é pendurar uma câmara de ar de caminhão. Observar sempre se há proteção, com colchonetes, no caso de quedas.
  • Rampa ou escorregador baixo, para descer em posições variadas (Ex: deitada de barriga para baixo ou para cima, sentada de frente ou de costas) e para escalar. Pode subir engatinhando ou se puxando por uma corda estando deitada de barriga para baixo.
  • Carrinho de rolimã para usar sentado ou deitado de barriga para baixo. Fazer trilhas para percorrer. Descer em pequenas rampas.
  • Tapete voador: Puxar a criança sentada ou deitada sobre uma colcha ou tapete. Variar direção e velocidade.
  • Freqüentar parquinhos, incentivando, sem forçar, o uso do escorregador e de balanços.
  • Bolas grandes próprias para ginástica podem ser usadas para várias brincadeiras. A criança sentada sobre a bola pode brincar de “pula-pula”, balançar para trás e frente e para as laterais. Deitada de barriga para baixo a criança pode balançar para trás e para frente e, se gostar, pode até virar uma cambalhota.
Os balanços devem estar pendurados numa altura que permita a criança tocar o chão com os pés sempre que desejar. As crianças mais inseguras podem se sentir inicialmente melhor balançando no colo de um adulto. Procure sempre enriquecer as atividades nos balanços com outros objetivos (Ex: cantar, acertar alvos com os pés ou com as mãos, jogar bola num cesto ou com aoutra pessoa), isto é muito importante, principalmente para aquelas crianças que tendem a querer usá-los por muito tempo e de forma pouco criativa. Brincadeiras de puxar e empurrar estimulam os proprioceptores e podem ser combinadas com as atividades vestibulares acima citadas.

3. Sugestões de Atividades para Estimulação Visual

  • Chame a atenção da criança para acontecimentos no ambiente como, a fogueira, o nascer e o pôr do sol.
  • Ligar e desligar a luz. Adaptar uma chave no interruptor para regular a luminosidade.
  • Providencie uma variedade de opções de iluminação como, lâmpadas de mesa, lâmpadas coloridas, piscapisca.
  • Brincadeiras com lanternas, fazendo sombras ou movimentos na parede, iluminando objetos.
  • Clarear a superfície de gavetas para facilitar que objetos sejam encontrados e da mesa onde a criança for realizar atividades.
  • Providencie livros com figuras amplas.
  • Usar preferencialmente papel branco e lápis preto para dar o máximo de contraste nos desenhos.
  • Lápis fluorescentes podem ser usados sobre papel preto.
  • Prancha inclinada sobre a mesa onde será fixado o papel poderá facilitar a escrita melhorando o campo de visão.
  • Aquários com peixes coloridos.

4. Sugestões de Atividades para Estimulação Auditiva

  • Ensinar canções.
  • Ensinar ritmos.
  • Ouvir estilos musicais diferentes.
  • Variar o rítmo de uma mesma música.
  • Grave sons da natureza.
Finalmente, um aspecto importante a se considerarem qualquer programa para crianças que apresentam distúrbios invasivos do desenvolvimento é que na maioria da vezes temos boas idéias para brincadeiras e atividades, o problema, no entanto, é como levar a criança a participar. As sugestões de Greenspan e Weider (1998) sobre como iniciar e manter interações com crianças com distúrbios do desenvolvimento, apresentada no quadro abaixo, nos parecem bastante úteis para pais e cuidadores.

5. Sugestões de Estratégias para Iniciar e Manter a Interação com Crianças

  • Acompanhe a criança e siga sua liderança. Observe seu comportamento e dê sentido ao que ela faz,agindo como se tudo fosse intencional. Por exemplo, se ela cai sobre o sofá, inicie uma guerra de almofadas, se ela deixa algo cair e faz um barulho diferente, repita, como se fosse intencional.
  • Se posicione na frente da criança e ajude-a a fazer o que ela quer.
  • Dê suporte às iniciativas da criança e expanda o conteúdo inicial, se faça de bobo, faça coisas erradas ou engraçadas e observe a reação. Se interponha no caminho da criança, interferindo de maneira divertida com o que ela está fazendo.
  • Descubra o que atrai a atenção e causa prazer na criança. Use brincadeiras sensoriais (ex: balançar, pular, rodar e luta), jogos de causa e efeito, que aparecem e desaparecem, ou brincadeiras infantis, como o esconde-esconde e o “vou te pegar”.
  • Enfatize palavras e gestos, exagere a expressão facial e entonação, deixando claro seus sentimentos e intenções.
  • Faça o que for possível para manter a interação e não interrompa a atividade enquanto conseguir manter a interação.
  • Dê sentido aos sons que a criança emite, completando palavras, ampliando o conteúdo ou dando um contexto para a palavra emitida, coloque palavras ou dê nome aos sentimentos que ela conseguir expressar.
  • Insista sempre em uma resposta, que seja um gesto, um som, um olhar.
  • Não desista da criança, seja persistente, paciente e espere pela resposta.
Foi apresentada uma visão prática dos problemas de processamento sensorial observados em crianças portadoras de distúrbios invasivos do desenvolvimento. São necessárias muitas pesquisas nessa área, mas esperamos que as descrições de sinais e sugestões de atividades ajudem pais e profissionais a compreender melhor alguns comportamentos dessas crianças, usando essa perspectiva para inspirar novas formas de interação e intervenção com essas crianças.
Idéias retirada do site AMA-BA
integração sensorial

Autismo e Integração Sensorial Parte 1

Integração sensorial
Integração Sensorial é a habilidade em organizar, interpretar sensações e responder apropriadamente ao ambiente, auxiliando nas atividades do dia-a-dia.
Kanner  e Asperger descreviam reações fora do comum de seus pacientes autistas com relação aos sons, toque, cheiros, estímulos visuais e paladar.
Alguns estímulos aparentemente comuns são percebidos como algo estressante, causador de medo e ansiedade, enquanto outros, como fontes de prazer e satisfação.
Crianças autistas com problemas sensoriais apresentam dificuldade em interpretar e organizar as informações sensoriais vindas do seu próprio corpo ou do ambiente.
Uma criança autista pode, por exemplo, ignorar um barulho muito alto ou não responder ao seu nome (Hipo-resposta), e ficar agitada e gritar ao escutar o barulho de liquidificador, enceradeira, secador de cabelo ou latido de um cachorro (Hiper-resposta). Pode ainda, reagir emocionalmente ou agressivamente ao toque (Hiper-resposta) ou apresentar necessidade incomum de tocar certos brinquedos, superfícies, texturas ou pessoas (Hipo-resposta).
A criança autista que apresenta Hiper-resposta  a estímulos sensoriais pode demonstrar alterações comportamentais como: agitação, choro imotivado, irritabilidade, movimentos estereotipados excessivos ou agressividade. Já a criança que apresenta Hipo-resposta  demonstra comportamento de passividade, sem reação aos estímulos externos e  pouca resposta para estímulos como toque, sons, cheiros, sabores e texturas.
Nesse sentido a abordagem de Integração Sensorial em crianças autistas, tem como objetivo: Diminuir movimentos estereotipados, aumentar a capacidade de atenção, comunicação, interação social, organização interna e melhorar desempenho em atividades do dia-a-dia.
Trabalhar a  INTEGRAÇÃO SENSORIAL promove:
  • Organização de conduta à criança;
  • Fornece condições para que a criança explore o ambiente.
  • Aumento da habilidade em manter a atenção;
  • Melhora na coordenação e planejamento dos movimentos para que a criança obtenha sucesso nas atividades que lhe interessam;
  • Melhora na autoestima e confiabilidade em si e em suas habilidades;
  • Melhora nos aspectos sociais e ambientais a partir da participação nestes contextos.
Quando o processo de Integração Sensorial é desorganizado, vários problemas de aprendizagem, desenvolvimento ou comportamento podem aparecer. Muitas crianças com distúrbio de Integração Sensorial são incapazes de brincar. Há certos distúrbios que tornam difícil para a criança interagir com o brinquedo. Pode parecer desajeitado em atividades que envolvam movimentos (Jogar futebol, pular corda) ou não conseguir manter um objeto seguro nas mãos, podem estar ligados diretamente ao processamento inadequado das informações sensoriais e a consequente não integração das informações sensoriais.
Uma sensação pode ser agradável para uns e extremamente desagradável para outros. Isso ocorre porque o caminho que as sensações fazem até o cérebro pode ser diferente na sua intensidade, com isso as respostas vindas do cérebro podem ser de Hipersensibilidade (+), de Hipossensibilidade(-) ou Intensidade Adequada
Os pais geralmente conhecem e compreendem seus filhos melhor que qualquer pessoa e às vezes precisam de ajuda para entenderem alguns comportamentos que observam nas crianças.
Indicadores de disfunção de INTEGRAÇÃO SENSORIAL:
  • Escolher sempre os mesmos brinquedos, preferencialmente aqueles que têm um papel claro e bem definido;
  • Passar de uma atividade a outra com frequência, não concluindo essas atividades;
  • Ao desenhar faz sempre as mesmas figuras;
  • Ser desajeitado e esbarrar em tudo que encontra;
  • Ter dificuldade de pegar uma bola ao ser jogada, não antecipando o movimento;
  • Preferir muitas vezes atividades mais sedentárias;
  • Apresentar dificuldades na alimentação, vestuário e higiene pessoal;
  • Apresentar dificuldade na imitação;
  • Evitar situações novas, frustrar-se facilmente;
  • Preferir seguir rotinas;
  • Criar rituais e rotinas;
  • Dificuldade em julgar a força necessária para tocar uma pessoa ou um objeto;
  • Apresentar incômodo ao cortar as unhas e cabelo;
  • Incomodar-se com etiquetas nas roupas;
  • Incomodar-se com um simples carinho, reagindo agressivamente, parecendo ansioso OU tocando objetos e pessoas excessivamente;
  • Não anda descalço OU adora andar descalço principalmente na areia ou grama;
  • Chora quando toma banho no chuveiro OU adora tomar banho no chuveiro;
  • Evita o toque e está sempre distante das pessoas OU quando tocado não percebe o toque;
  • A alimentação é seletiva, escolhe alimentos com base na mesma textura ou consistência OU adora comer alimentos com texturas variadas, crocante e/ ou apimentados;
  • Escovar os dentes parece muito sofrido;
  • Enjoa ao andar em carro ou ônibus;
  • Barulho de geladeira, liquidificador e ventiladores incomodam, muitas vezes dificultando sua atenção nos ambientes;
  • Evita parquinho (gira-gira, balanços, escorregador) OU adora parquinho e procura muita intensidade nesses brinquedos;
  • Não gosta de permanecer em filas;
  • Evita sujar-se, não gosta de brincadeiras que envolvem pintura, argila OU suja-se nas brincadeiras e não demonstra qualquer incômodo; não percebe que está sujo;
  • Usa roupas torcidas no corpo;
  • Morde-se OU morde o outro;
  • Parece ter prazer em cair;
  • Parece não ter saciedade OU não sentir fome;
  • Parece não ouvir e adora música alta;
  • Cheira objetos;
outros indicadores de  DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL (DIS)
  • Atraso na fala, na linguagem, nas habilidades motoras ou nas aquisições escolares;
  • Problemas com autoestima, podendo parecer preguiçosa, entediada ou desmotivada, evitando as tarefas que são difíceis ou que a envergonham.
Conhecer o perfil sensorial da criança é muito importante, pois há associação direta entre o comportamento apresentado e a maneira como uma sensação é recebida do meio ambiente.
O que caracteriza a Terapia de INTEGRAÇÃO SENSORIAL (IN)
  A Terapia de integração sensorial se realiza em um ambiente com vários estímulos, onde a criança poderá explorar os sistemas sensoriais e fazer bom uso destas, de uma forma lúdica e integrada com a Terapeuta Ocupacional (Ou outro profissional preparado)e  com pais.
Artigo feito em conjunto com a Terapeuta Ocupacional Ana Luiza 

Hidroterapia em crianças com Autismo

hidroterapia
A água além de um poderoso motivador como uma atividade de lazer, é um meio precioso para terapia. Imagina poder juntar os dois quando o assunto é a reabilitação infantil?
Pensando nas crianças com Autismo, a Hidroterapia fornece estimulação sensorial e permite que a criança a diminua o estresse, organize seu comportamento, alcance estados de relaxamento e melhoria na sua relação com o ambiente. A intervenção terapêutica na água também incentiva o desenvolvimento da coordenação motora, melhora o tônus ​​muscular, o equilíbrio, o controle e o planejamento motor. Ao melhorar o controle postural e o planejamento motor, esta terapia favorece o desenvolvimento de habilidades motoras, aumentando a coordenação e a harmonia de movimentos. Da mesma forma, a Hidroterapia pode diminuir o estado de alerta e tensão, favorecendo os ciclos de sono.
A regulação do comportamento pode ser alcançada através de atividades na água e isso significa um poderoso reforço de comportamento para a criança. Outro benefício desta terapia é que ela é útil para trabalhar a atenção sustentada, à medida que a criança se mantém seguindo ordens, o que socialmente melhora a resposta à comunicação social.
Como acontecem as sessões…
Com base na importância do ajustamento comportamental e emocional das crianças, são feitas atividades que promovam relaxamento, planejamento de movimento, segurança e confiança. Permitir que a criança a reduza seus estados de preocupação, medo e ansiedade através de uma abordagem sistemática e estruturada. Com crianças com Autismo são usados pictogramas para a antecipação visual, motivando o comportamento adaptativo e funcional, bem como o sequencialmento de atividades em que a criança participa ativamente com a ajuda do terapeuta. O trabalho dentro da água pode ser individual ou em pequenos grupos, com a participação de um terapeuta para cada criança.
Com esta breve explicação, percebe-se a Hidroterapia como uma outra possibilidade de intervenção para pessoas com Autismo.
Vocês têm experiência com Hidroterapia e pessoas com Autismo? Se sim, não deixe de contribuir deixando seu comentário e até citando referências para que as pessoas interessadas possam pesquisar e ler mais sobre o assunto. =)
Fonte e imagem: Autismo Diário

ALIMENTAÇÃO CONTRA O AUTISMO

Retirando o glúten e a caseína da alimentação, a maioria das crianças com autismo regista grandes melhorias.

As crianças com autismo podem beneficiar de uma dieta sem caseína (uma proteína do leite), sem glúten e sem soja e muito rica em ácidos gordos ómega 3. A nova abordagem surgiu nos EUA há dez anos, mas já tem milhares de seguidores, incluindo alguns portugueses, esclarece a nutricionista Daniela Seabra.

O que é que o autismo e outras doenças do espetro do autismo têm a ver com a alimentação?

Para responder a essa questão, gosto de citar um psiquiatra que ouvi numa apresentação e que diz que, na anatomia, os profissionais de saúde se esquecem que existe pescoço e que a cabeça está ligada ao corpo. Algumas doenças psiquiátricas e neurológicas envolvem apenas o cérebro, mas outras não – é o caso do autismo. E a verdade é que o cérebro funciona à custa do corpo. Isto para dizer que os neurotransmissores, as substâncias químicas usadas na comunicação entre neurónios, são nutrientes e toda a gente sabe que quando são retirados alguns nutrientes importantes o cérebro deixa de funcionar tão bem. Aumentar uns e retirar outros também tem influência. O que sabemos é que as crianças com autismo têm alterações bioquímicas e fisiológicas específicas e não conseguem lidar com certos alimentos, que devem ser retirados, e precisam de doses mais elevadas de outros nutrientes, que devem ser acrescentados.

Que alimentos que devem ser eliminados?

Eliminamos compostos que alteram a comunicação cerebral. Sabemos que a grande maioria destas crianças reage ao glúten e à caseína (uma proteína que existe no leite) e verificamos que, retirando o glúten e a caseína, entre sessenta a setenta por cento registam melhorias. É muito significativo.

Mas também recorrem a suplementos alimentares. Quais?

A maior parte das crianças com autismo precisa de fazer ómega 3, sobretudo EPA (ácido eicosapentaenóico, que é um potente anti-inflamatório), e DHA (ácido docosahexaenóico, fundamental para os neurónios e estrutura cerebral). Algumas também têm deficiência de magnésio (o que contribui para a irritabilidade e excitação) e de vitamina B6, e um enorme stress oxidativo, o que altera o funcionamento celular e a expressão genética.

Qual é o princípio da abordagem biomédica do autismo?

Retirar o que faz mal, repor o que faz falta e reequilibrar o que está desequilibrado. No tratamento do autismo é fundamental a interdisciplinaridade – apoio médico (pedopsiquiatria e neurologia, mas também gastrenterologia, imunologia, alergologia), terapias comportamentais, nutrição e muita compreensão, carinho, amor e aceitação.

A retirada dos alimentos é feita às cegas ou fazem-se exames de diagnóstico?

Fazem-se análises ao sangue, urina e fezes e faz-se um exame físico (pele, unhas, cabelo). Mas importa dizer que não há um protocolo que possa ser aplicado a todas as crianças pois, se somos diferentes uns dos outros, nas crianças com autismo essas diferenças são ainda mais marcantes e é difícil encontrar um grupo homogéneo. Só a dieta sem caseína e sem glúten é que é transversal, os suplementos e as terapias comportamentais variam de criança para criança. Certo é que numa primeira fase se retira tudo o que é lixo alimentar, especialmente corantes, aditivos e pesticidas. Na segunda etapa, retiramos o glúten (existe no trigo, cevada, centeio e aveia) e a caseína (todos os lacticínios). Os pais devem ser muito rigorosos neste regime para que, seis meses depois, se possa avaliar a eficácia da dieta. Os dados que existem mostram melhoria em sessenta a setenta por cento das crianças.

Que resultado são alcançados? Qual é sua experiência?

Trabalho com crianças com autismo desde 2009, já acompanhei perto de cem e, até agora, posso dizer que só uma é que não melhorou com a dieta sem caseína e sem glúten. Mas há um grupo no Facebook – Dieta sem Caseína, sem Glúten e sem Soja – Portugal – onde centenas de pais partilham experiências e trocam impressões, e o que muitos registam são as melhorias que observam nos seus filhos.

É um grupo de apoio? E porquê a soja?

Uma boa parte das crianças com autismo tem tendência alérgica e, ao contrário do que muitas pessoas julgam, a soja é um alergénio muito potente. Quanto ao grupo, sim, acaba por funcionar como grupo de apoio, mas em Portugal pouco ou nada se faz nessa área, apesar de ser fundamental que os pais partilhem experiências, troquem ideias, sugestões e receitas, se informem sobre produtos, marcas, lojas, etc. Nos EUA, isso faz-se com um profissionalismo que não tem paralelo. Quem tiver interesse pode ir aos sites da TACA – Talk About Curing Autism (www.tacanow.org) ou da Generation Rescue (www.generationrescue.org) e verificar.

Quem tiver um filho com autismo pode experimentar estas alterações sem correr riscos?
Retirar o glúten não comporta nenhum risco nutricional – é só substituir um cereal por outro sem glúten, por exemplo milho, arroz, trigo-sarraceno – mas é importante que os pais saibam que com a caseína já é diferente. É que o cálcio e a proteína, habitualmente fornecidos pelo leite e fundamentais para o desenvolvimento das crianças, têm de ser compensados. E para isso já é preciso apoio de um profissional. Portanto, direi que, na primeira fase, quando é preciso trocar os cereais, pode bastar a informação e o apoio entre pais, mas depois é preciso um nutricionista.

Quando e como se começou a valorizar a nutrição no tratamento do autismo?

Foi nos EUA, creio que em 1995, que um grupo de pais de crianças com autismo e com formação em medicina e noutras áreas da saúde começaram a reunir para discutir todas as alterações da doença – além das alterações cerebrais, da linguagem e do comportamento, a maior parte das crianças com autismo tem perturbações gastrointestinais, eczema, alergias severas. E foi nestes sintomas que os pais começaram a intervir, primeiro mudando a alimentação, depois introduzindo suplementação nutricional. Em pouco tempo começaram a verificar melhorias e a informação começou a circular.

Foi assim que nasceu o chamado grupo DAN! – Defeat Autism Now (Vença o Autismo Agora!)?

Sim, começaram por ser conhecidos como os especialista DAN! E em pouco tempo, juntaram-se muitos mais pais, com formação em bioquímica, medicina, nutrição, farmácia, que começaram a estudar e a confirmar as melhorias que vinham, nomeadamente com as mudanças alimentares e a suplementação nutricional. O movimento cresceu, ganhou vida própria e já envolve milhares de pais em todo o mundo. Neste momento, há milhares de crianças com perturbações do autismo que fazem uma alimentação sem glúten e sem caseína e que estão francamente melhores: os sintomas regrediram e algumas perderam diagnóstico de autismo. Claro que as terapias comportamentais são muito importantes: nós «limpamos o terreno», os terapeutas «arrumam» e «ensinam» as crianças a comunicar, a brincar, etc.

Antes da entrevista, telefonei para algumas instituições que apoiam crianças com autismo e nenhuma tinha ouvido falar da dieta sem caseína, sem glúten e sem soja, nem tinham apoio de nenhum nutricionista. Porquê?

É uma falha. Por um lado, é uma abordagem relativamente recente e há muito desconhecimento. Por outro, as principais associações de autismo ainda não reconhecem os estudos que confirmam os benefícios da dieta sem caseína, soja e glúten.

Os resultados aparentam ser bons, mas não há evidência científica, é isso?

Há dezenas de estudos já efectuados nos EUA que o comprovam. E muitos outros estão em curso. Mas ainda não foi aceite pela maior parte da comunidade médica. Todavia, diante dos bons resultados, e talvez devido à facilidade de acesso à informação através da internet, a adesão dos pais é cada vez maior. Eles são os primeiros a comprovar os benefícios. É assim nos EUA, Canadá, Brasil, Israel, países nórdicos, na América Latina e cá também.

O que acontece quando as crianças voltam a ingerir glúten e caseína?

As alterações de comportamento, alguns sintomas e perturbações gastrointestinais, da pele, as alergias, a inflamação cerebral, etc., voltam a agravar-se. A susceptibilidade está lá, a alimentação pode aumentá-la ou neutralizá-la. Os alimentos têm o poder de modular inúmeras funções orgânicas, a comunicação hormonal e a expressão genética.

Uma pessoa adulta com autismo também beneficia desta abordagem?

É nos mais pequenos que normalmente se observam os melhores resultados. Apesar de todos poderem melhorar, com a idade, a mudança tende a ser bem menor.

E a comunidade médica, como é que lida com isto?

Em 2008, quando estive nos EUA, ainda se sentia algum cepticismo em relação à abordagem dos tais médicos DAN! Mas entretanto, ao que começou por ser um movimento de pais médicos, pais nutricionistas, pais bioquímicos, começaram a juntar-se profissionais e investigadores de prestigiados centros médicos e universidades americanas e a coisa mudou de figura. Hoje já há centros de investigação como o Autism Research Institute (www.autism.com), a Medical Academy of Pediatric Special Needs (www.medmaps.org), a Autism International Association (www.autismone.org), entre outras, onde são formados médicos e outros profissionais de saúde. Os benefícios para as crianças começam a ser reconhecidos e o tratamento biomédico do autismo tem cada vez mais adeptos.

E os médicos e nutricionistas portugueses estão recetivos?

Já há alguns pedopsiquiatras e neurologistas que falam desta abordagem aos pais, mas ainda com muitos receios. Mas a maior parte nem quer ouvir falar. Também não conheço nenhum nutricionista que trabalhe assim.

Esta dieta é usada com sucesso no controlo de outras doenças do espectro do autismo?

No Síndrome de Asperger, sim. Mas a alimentação também tem uma influência enorme na hiperatividade e espanta-me que se mediquem as crianças sem que também se proponha uma alteração no regime alimentar. Por exemplo, o açúcar e os aditivos alimentares, sobretudo os corantes, devem ser reduzidos ao mínimo. Não é por acaso que algumas marcas de gomas e de gelatina já têm inscrito nas embalagens o aviso de que «pode induzir hiperatividade». Só que ainda é em letras muito pequeninas.

QUEM É DANIELA SEABRA?

Nutricionista pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, especializou-se em nutrição funcional no Institute for Functional Medicine (EUA) e em tratamento biomédico do autismo no Autism Research Institute (também nos EUA). Trabalhou dez anos no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira (Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga) mas atualmente só faz consulta privada.

Atividades de Reforço – Reflexão sobre o sistema de escrita

Com este material você terá acesso a:
→ Atividade de leitura e escrita pelo aluno, nas quais eles devem ser convidados a ler e escrever para se apropriarem do sistema de escrita;
→ Registro da agenda do dia, atividade durante a qual os alunos deverão copiar o planejamento feito por você, para a aula do dia, pois assim, além de acompanhar o que foi planejado, farão uso da escrita em uma situação próxima de sua função social real — o registro escrito como organizador de atividades.
→ Rodas de Leitura: situação em que os alunos poderão socializar suas leituras de livros do acervo da sala de leitura ou trazidos de casa para que adquiram o hábito de ler, sintam prazer e se tornem, assim, leitores autônomos.
→ Atividades de leitura e escrita para refletir sobre o sistema de escrita.
→ Atividades de leitura com os seguintes propósitos: ler para divertir, ler para saber cozinhar, ler para aprender escrever, ler para aprender sobre o nosso corpo, ler para aprender sobre os animais, ler para cantar, ler para saber sobre as plantas e suas propriedades curativas e ler para se emocionar e se divertir.

Investigadores descobrem ligação entre certos tipos de autismo e a flora intestinal

Há dez anos, Derrick MacFabe tentou responder a uma pergunta simples:
“Haverá alguma relação entre o autismo e os sintomas tais como indigestão e obstipação de que sofrem tanto aqueles que têm essa perturbação?” - Interrogava-se o investigador.

O que encontrou é complexo.
Mas com a descoberta, que já é comparada por alguns ao momento de eureka de Frederick Banting quando na batalha contra os diabetes concebeu a ideia da insulina, a investigação de MacFabe veio dar esperança aos pais das crianças autistas.
Ele encontrou uma “relação muito atraente” entre um tipo de bactéria intestinal, o ácido propiónico, e a sua capacidade de produzir alterações cerebrais e comportamentais como as encontradas nos indivíduos que padecem de autismo.
Para MacFabe, isso significa que um dia poderá haver um teste para diagnosticar o autismo nas crianças antes de apresentarem sintomas, ajudando-as a evitar o desenvolvimento da perturbação que afeta um em cada 88 indivíduos ou a reduzir a sua gravidade.
“Era intrigante verificar que entre muitas destas famílias algumas destas crianças tinham estes sintomas”, disse na segunda-feira MacFabe, diretor do Grupo de Investigação sobre o Autismo, Kilee Patchell-Evans, da Western University.
“Mas as pessoas questionavam-se sobre como é que estas alterações intestinais e do sistema imunitário estão relacionadas com o próprio autismo. Seriam coincidências ou haveria algo central?”

MacFabe fez a descoberta – e publicou no diário Translational Psychiatry – com os médicos Richard Frye e Stepan Melynk do Instituto de Investigação do Hospital Pediátrico do Arkansas.
A equipa descobriu que um alto nível de ácido propiónico altera a função imunitária e prejudica a forma como o corpo decompõe a gordura e absorve a energia.
Quando foi dado este ácido a ratos, eles replicaram comportamentos autistas – tornaram-se hiperativos, antissociais e mais interessados em objetos do que noutros ratos.
A inflamação cerebral e as alterações na gordura observadas nos ratos são semelhantes às encontradas nas pessoas com autismo.
Mas talvez ainda mais interessante para MacFabe seja que os comportamentos pareceram ser reversíveis – sugerindo a possibilidade de o autismo ser tratado.

“O que é interessante é que o comportamento vai e vem à medida que (o rato) faz a decomposição”, diz o investigador.
MacFabe, Frye e Melynk analisaram cerca de 215 crianças com autismo numa grade clínica americana e descobriram que 17% delas tinham alterações bioquímicas – um padrão único de um composto conhecido como acyl-carnitine – virtualmente idêntico ao dos ratos que apresentaram comportamentos semelhantes aos do autismo e alterações cerebrais.
Dado que se julga que fatores genéticos têm um papel no autismo, a equipa procurou alterações genéticas que explicassem as mudanças verificadas nos 17% das crianças mas apenas encontraram alterações genéticas em um ou dois casos.
A investigação sugere que algumas formas de autismo possam ser adquiridas, e não serem apenas genéticas, possivelmente explicando porque é que uma perturbação que antes afetava apenas um em cada 10.000, hoje afete tantos mais.
A investigação da equipa também menciona fatores potenciais de risco de contribuição para a perturbação – alguns pacientes com autismo têm baixos níveis de um composto chamadocaritine, que é importante para a metabolização dos ácidos gordos.
A descoberta é válida para pais como David Patchell-Evans, diretor geral da Goodlife Fitness sediada em Londres e um dos principais mecenas da investigação de MacFabe, que contribuiu com mais de 4 milhões de dólares.
Diz ele que muitos pais de crianças autistas há muito que suspeitam que haja uma relação entre os problemas digestivos dos seus filhos e o autismo, mas agora há ciência para fundamentar o palpite deles.

“Com a minha própria filha eu tinha visto que o que ela comia afetava quem e como ela era”, disse Patchell-Evans, cuja filha Kilee de 16 anos é severamente autista.
“É preciso uma forma de provar que a árvore é verde. Foi isso que ele fez.”
A investigação faz a ponte entre uma série de sintomas que parecem não ter nada a ver uns com os outros, mas que acompanham problemas gastrointestinais, com as causas destes que estarão relacionadas com alterações na flora intestinal, no sistema imunitário e metabólicas.
“Aparentemente está a surgir-nos uma imagem que liga todas as teorias díspares sobre o autismo de uma forma que podemos testar racionalmente”, diz MacFabe. “O facto de podermos diagnosticar e indicar potenciais terapias… esse é o futuro – estamos orientados nesse sentido”.

kelly.pedro@sunmedia.ca

Artigo original em:


O caminho para a cura do autismo