terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“Meu filho tem autismo! Devo parar de trabalhar?”

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Neste universo azul que todas nós passamos a habitar após o diagnóstico de nossos filhos, existem algumas afirmações que são tidas como “verdade absoluta”.
Algumas destas afirmações correspondem à realidade e outras nem tanto.
Também é comum e rotineiro encontrar, em nosso dia, dúvidas que são frequentes e comuns e que acometem 10 entre 10 mães de autistas.
Dentre elas, podemos destacar o mito dos 7 anos, sobre o qual já falamos (Se quiser ler sobre este tema, clique aqui) e o fato da mãe trabalhar fora. E é sobre este último assunto que iremos conversar hoje.
Muitas mães me perguntam se devem ou não largar seus empregos para se dedicar única e exclusivamente a seus filhos. A grande verdade é que após o diagnóstico, muita coisa, ou praticamente TUDO, muda na rotina da família.
Passeios, horários, regras, alimentação, vestuário, sons, luzes e tantos outros aspectos podem se tornar um calvário dependendo da criança, de seu grau de comprometimento dentro do espectro, bem como de suas próprias habilidades e limitações.
Assim sendo, o emprego da mãe (pois na grande maioria dos casos é a mãe que se torna a principal cuidadora e responsável pela rotina da criança) é colocado em xeque-mate, como tudo aquilo intrinsecamente relacionado à questão.
Em um primeiro momento, é normal que nasça dentro de cada uma de nós a convicção inabalável que devemos deixar nosso emprego. Parece não haver nenhuma alternativa possível no sentido de conciliarmos as duas funções (mãe e profissional). Passado o impacto inicial, entretanto, é necessário ver a situação de forma mais racional e menos emotiva.

Obviamente que NÃO existe uma fórmula que sirva como regra imutável para TODAS as famílias, pois, infelizmente, a vida da gente não é uma receita de bolo…

Cada família tem suas próprias características e tipicidades. Assim sendo, o que funciona para uma família pode não funcionar para outra.
Trazendo o assunto para minha experiência pessoal, optei por parar de trabalhar.
O aspecto que teve um peso enorme e foi fundamental para minha decisão foi o fato de não poder contar com alguém que pudesse assumir meus dois filhos no formato da rotina que a partir de então seria necessário, em função do diagnóstico.
Não me arrependi e não me arrependo até hoje desta decisão. Entretanto, o fato é que conheço mães que continuaram com seus empregos e conseguiram, de forma satisfatória, conciliar os dois papéis, sem prejuízo para nenhum deles.
Mulheres que, apesar de não estar presentes o dia inteiro, fazem com que os momentos que passam com seus filhos sejam de muita qualidade.
Da mesma forma, conheço tantas outras que, assim como eu, deixaram suas profissões para cuidar de seus filhos e filhas e igualmente estão felizes e bem resolvidas.
Na outra extremidade da situação, sei de estórias de mulheres que deixaram seus empregos e vivem frustradas, infelizes, e por se sentirem assim, não são capazes de ajudar, contribuir para o desenvolvimento de seus filhos, pois ninguém consegue ajudar ao outro se não estiver bem, ainda que o outro em questão seja seu próprio filho.
Na hora da decisão, muitos fatores devem ser levados em conta, bem como alguns questionamentos devem ser feitos, tais como:
 - tenho alguém que possa ficar com meu filho e assumir sua rotina de forma adequada?
- qual é o impacto que a retirada de meu salário irá causar no orçamento doméstico? Será significativo?
- como me sentirei deixando para trás minha profissão? Sou realizada profissionalmente? Ou parar de trabalhar não fará a menor falta para mim enquanto indivíduo? Ou mesmo amando o que faço, posso deixar meu emprego para trás para cuidar de meu filho?
- existe a possibilidade de conseguir uma redução de carga horária em meu emprego e, assim, poder conciliar as duas funções, trabalhando apenas meio expediente?
Estes são apenas alguns dos muitos aspectos que devem se colocados na “balança” na hora de tomar uma decisão.
Cada cabeça, uma sentença; cada família, uma realidade; cada mulher, uma decisão diferente! Assim sendo, lembre-se de que de nada adiantará largar seu emprego e viver frustrada.
Da mesma forma, não valerá a pena continuar trabalhando e viver insegura e culpada.
Não importa quando tempo você passe com seu filho; o importante é a qualidade deste tempo! E nesta decisão não apenas seu filho deve sair ganhando. Você e ele são faces da mesma situação, seres que se espelham um no outro, que se amparam e que precisam estar bem individualmente para se ajudar mutuamente.
 Denise Aragão

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