terça-feira, 30 de julho de 2013

O difícil momento de assumir o diagnóstico


O momento do diagnóstico é, sem dúvidas, o momento que muitos de nós ou, praticamente, todos não gostaríamos de ter vivido.

É ponto pacífico e não cabe discussão. Mas e depois disso?
 
Assumir ou não o Autismo de nossos filhos?
 
Se optarmos pela primeira opção, como fazê-lo? E quando fazê-lo?

Trago  este assunto à tona pois esta semana fui procurada por uma mãe aflita que me pedia orientações sobre como agir após esta descoberta. Seu filho tem apenas 2 anos e foi diagnosticado recentemente. Ela me perguntava se deveria contar somente aos familiares e amigos mais próximos ou se o diagnóstico deveria permanecer em segredo.
 
Em primeiro lugar é de suma importância ressaltar que NÃO existe uma receita ou fórmula que garanta uma estratégia eficaz para todas as famílias. Cada indivíduo autista é único, bem como sua família. Assim sendo, não há uma solução padronizada para lidar com a situação.

O que funcionou com minha família pode não funcionar com a sua. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o estado emocional desta mãe, deste pai, deste casal.

Como está a cabecinha desta mãe? O diagnóstico foi uma surpresa, caiu como uma bomba? Ou já havia alguma desconfiança a respeito do assunto e seu coração já estava de certa forma “preparado”?

De qualquer forma, em ambos os casos é sempre MUITO doloroso e NUNCA é uma situação fácil pela qual podemos passar incólumes.

Sugiro que, primeiramente, a abordagem seja feita com seus familiares e, posteriormente, com os amigos mais próximos. E este passo deve ser tomado somente quando você for capaz de fazê-lo sem piedade de si mesma e de seu filho, utilizando uma abordagem pró-ativa, ou seja, ressaltando SEMPRE que, embora AINDA não haja cura para o Autismo, existe tratamento e você acredita na EVOLUÇÃO de seu menino ou menina.

Em minha experiência pessoal, foi deste jeito que resolvi agir. Umas semanas após o diagnóstico,  aproveitei-me do fato de estar mudando de casa e, sob o pretexto de passar meus novos contatos, mencionei a situação.

Entretanto, levei um tempo MUITO maior para criar coragem e falar sobre isso para as pessoas de “fora”, desconhecidas. A dor de ter que justificar comportamentos para os quais não havia mais justificativas plausíveis me impeliu a fazê-lo.

Eu não aguentava mais justificar suas crises de birra com um tímido: “Ah, é que ele não dormiu bem esta noite…”. Ou ainda, tentar explicar a ausência da fala dizendo: “É que ele tem um pequeno atraso na linguagem …”

Decorridos quase 8 meses do diagnóstico, reuni forças e num esforço sobre humano ( sim, foi  difícil para mim dizer que meu filho tinha Autismo para uma pessoa estranha ) mencionei o fato. Ao ser indagada pela mãe de um amiguinho da escola se ele já estava cantando a musiquinha nova que seria apresentada na festinha, respondi que ele AINDA não cantava, ou sequer falava frases, pois ele tinha Autismo.

Lembro-me de sentir minha face ruborizar! Não conseguia parar de tremer!  Minha boca estava seca e o coração aos pulos…

Apesar de tudo isso, segui em frente, tentando assumir o Autismo do meu filho da forma mais calma possível e mostrando que eu acreditava no potencial dele, pois estávamos trabalhando para sua evolução.

Graças a Deus, a mãe de seu amiguinho reagiu com naturalidade e se tornou uma grande amiga , confidente mesmo. Sabedora da situação, passou a incentivar entusiasticamente seu filho a brincar cada vez mais com o meu João Pedro.

Senti-me vitoriosa! É óbvio que a reação positiva desta mãe contribuiu enormemente para que eu me sentisse assim. A partir daí,  as coisas fluíram com mais tranquilidade.

Neste caminhar, fiz algumas descobertas:

As chances de seu interlocutor reagir com naturalidade ao saber que seu filho ou filha tem autismo são proporcionais à sua abordagem do assunto, ou seja, vai depender grandemente da forma como VOCÊ irá falar sobre isso.

Se você iniciar sua fala se mostrando derrotada, ou com pena de si mesma, é bem provável que seu interlocutor tenha  um dos seguintes pensamentos (ou até mesmo ambos!)

“Nossa , coitada desta mãe!”   ou ainda , “Este tal de Autismo é o fim do mundo …”

Reafirmo  que estas são MINHAS experiências pessoais e estão longe de ser receita de bolo.

Minha amiga …pense, reflita. Avalie como VOCÊ está se sentindo e se este é o momento adequado.

Coloque na balança emocional os prós e os contras que você terá ao assumir. Quando tomei minha decisão, constatei que GANHEI muito mais do que perdi. Em conversas com outras famílias, percebi que quase todas também se sentiram melhor assumindo a condição diferenciada de sua criança.
 
Ninguém gosta de viver mentindo. Principalmente quando se mente para si próprio.

E, sabiamente, diziam nossos avós: a mentira tem perna curta.

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