terça-feira, 30 de julho de 2013

Algumas coisas que toda mãe de Autista gostaria que você soubesse.


Sempre que leio o texto  “Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse” de autoria de Ellen Notbohn (do livro Ten Things Every Child with Autism Wishes You Knew: 2005), me emociono e fico pensando em como seria se pudéssemos listar também tudo aquilo que gostaríamos que as pessoas soubessem sobre nós, nossos filhos, nosso cotidiano e suas dificuldades.

Desta forma, listei algumas regras de ouro, “mandamentos” que, talvez, se as pessoas tivessem conhecimento, tornariam nossas vidas um pouquinho mais tranquilas.

Espero que vocês gostem e gostaria de contar com a participação de todas vocês, enviando a sua sugestão para acrescentarmos à nossa lista, ok?

1- Amo meu filho incondicionalmente, mais do que minha própria vida;

2- Eu e meu filho NÃO precisamos de sua piedade , precisamos de sua compreensão;

3- Tenho verdadeiro horror e repugnância a olhares tortos, enviesados e caras feias. Não temos nada a ver com sua intolerância, ignorância ou muito menos com seu preconceito;

4- Não trate meu filho como um ser inferior;

5- NUNCA faça perguntas do tipo:” ah, mas ele ainda não faz tal coisa? O MEU filho com este idade já fazia”. Provavelmente, na sua idade, Bill Gates já havia amealhado seus primeiros milhões, enquanto você ainda conta seus reais; NINGUÉM gosta e nem deve ser comparado!

6- Se você quer minha amizade ou, ainda, não quer que eu me transforme em uma leoa, JAMAIS maltrate, destrate ou faça meu filho alvo de bullying;

7- Não trate meu filho como um ser inanimado. Autistas TÊM sentimentos! Atitudes e palavras inadequadas podem feri-lo e magoá-lo e você incorrerá no item 6 (despertando meu lado leoa ).

8- Se você é membro da família ou um amigo muito próximo , ESCUTE e ACEITE minhas orientações sobre como agir com meu filho. Sei o suficiente sobre o funcionamento de pessoas com TEA, enquanto, provavelmente, você não faz a mínima ideia sobre o assunto (salvo raríssimas exceções);

9- O item número 9 também é dedicado aos membros da família: NÃO insista na ladainha “mas esta criança não tem nada, isso é coisa da sua cabeça, o “Fulano” fazia a mesma coisa quando era pequeno e hoje está ótimo!”. Comentários como estes somente me exasperam e me cansam, não contribuem em nada;

10- Este item se aplica a tudo, a todos e a todas as situações e momentos de nossas vidas. Se você não tiver um comentário positivo a acrescentar, opte pelo silêncio. “Falar menos e ouvir mais” é uma das regrinhas de OURO da cartilha do bem viver. Justamente por este motivo, o Criador nos fez com dois ouvidos e uma só boca;

11- Eu PRECISO de ajuda em inúmeros momentos e sua contribuição sincera e bem intencionada será bem vinda. Se não souber como ajudar, experimente apenas me OUVIR. Desabafar, muitas vezes, me ajuda a organizar minhas ideias e me proporciona o afastamento necessário da situação para que eu possa dimensioná-la corretamente;

12- Jamais minimize ou compare minha situação. Saber que outros têm problemas maiores ou menores que os meus não torna minha vida mais fácil;

13- NÃO critique minhas atitudes e muito menos ouse julgar meus sentimentos. Você jamais saberia o que fazer em meu lugar, pois é praticamente impossível que saibamos o que fazer sem estarmos diretamente envolvidos na situação;

14- Vou lutar até meu último suspiro buscando melhor qualidade de vida para meu filho;

15- Sim, por mais que lhe cause estranheza, eu comemoro “pequenas” (aos seus olhos !) GRANDES ( em minha opinião !) conquistas de meu filho. O que para a grande maioria das pessoas é comum e corriqueiro, para mim é uma VITÓRIA e um MILAGRE. Cada nova palavra, cada gesto ou até mesmo um olhar compartilhado são valiosos demais para mim.

16- Você não é obrigado a conhecer tudo sobre Autismo e eu NÃO tenho esta pretensão. É fato que ninguém sabe tudo sobre todas as coisas. Mas tenho direito de exigir: RESPEITO e DIGNIDADE e não abrirei mão de fazê-lo pelo meu filho;

17- Se você pensa que autistas não têm voz, é porque você não conhece a força do GRITO das mães de autistas e do que somos capazes de fazer por nossos filhos.

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